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Publicado em 02.09.10 às 15:09 hs

Quebra da safra do leite pode chegar a 20% no Oeste de Santa Catarina

Sem saber o que é chuva há 22 dias, os produtores rurais do Oeste de Santa Catarina já falam em prejuízos. A pastagem seca impacta na produção de leite e de gado de corte. Em agosto, choveu 66 mílimetros na região, apenas 47% da média para o mês, que é 141 milímetros.

Além disso, o índice de umidade relativa no dia 23 de agosto foi o mais baixo registrado nos últimos 40 anos — a média para esta época do ano é de 96%. Para completar o quadro, o aumento do número de queimadas e a redução da umidade no solo se fizeram sentir.

Produtores viram os seus custos cresceram pela necessidade de complementar a alimentação dos animais com suplementos como ração e silagem.

A queda de produção de leite na propriedade de Hermínio Belatto, que varia de 3 mil a 4 mil litros/mês nem foi tão expressa. Ficou em 2%. O seu maior motivo de apreensão são os próximos dias. O rebanho está comendo as gramíneas perenes de verão ainda em brotação.

— Eu me preocupo daqui para frente, a silagem já acabou e o pasto que tinha está acabando também — explicou.

Previsão

A previsão para a safra de leite não é boa. A estimativa do engenheiro agrônomo Ivan Baldissera, da Epagri, é que a quebra chega a 20%. Apenas nas últimas semanas, a produção caiu 12% em relação com o mesmo período no ano passado.

— O produtor precisa se precaver, estocando silagem para complementar a alimentação dos animais nos próximos meses — sugeriu ele.

Os produtores vivem também o dilema de decidir o melhor momento de iniciar o plantio das culturas da estação, como o feijão e o milho. A terra seca demais impede a germinação das sementes. Para o agrônomo Mario Miranda, a semeadura teve de ser suspensa até a próxima chuva.

— O momento é de espera. Geralmente se planta as culturas de verão entre agosto e setembro, mas neste ano, o recomendado é que se espere um período de chuva, porque não há condições para germinação agora — explica.

Frentes frias

Segundo Baldissera, há a previsão da chegada de frentes frias ao Estado na primeira quinzena de setembro. Com a chuva, o produtor deve plantar as sementes de forma escalonada, sem diminuir o espaçamento normal para compensar a semeadura tardia, e utilizar cultivares recomendadas.

As culturas de inverno, como o trigo, garante o engenheiro agrônomo da Epagri, não estão sendo prejudicadas pelo período sem chuva. Há a preocupação de danos às produções caso ocorram geadas fora de época nos próximos meses.

fonte: Diário Catarinense



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